Pérolas de Sabedoria

sexta-feira, janeiro 10, 2014

ALIMENTAR O AMOR

Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Chega-se sempre à primeira frase, ao primeiro número da revista, ao primeiro mês de amor. Cada começo é uma mudança e o coração humano vicia-se em mudar. Vicia-se na novidade do arranque, do início, da inauguração, da primeira linha na página branca, da luz e do barulho das portas a abrir.
Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Por isso respeito cada vez menos estas atividades. Aprendi que o mais natural é criar e o mais difícil de tudo é continuar. A actividade que eu mais amo e respeito é a actividade de manter.

É como no amor. A manutenção do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas é preciso paciência para fazer perdurar uma paixão. O esforço de fazer continuar no tempo coisas que se julgam boas — sejam amores ou tradições, monumentos ou amizades — é o que distingue os seres humanos. O nascimento e a morte não têm valor — são os fados da animalidade. Procriar é bestial. O que é lindo é educar.

Mudar é um instinto animal. Conservar, porque vai contra a natureza, é que é humano.

Percebo hoje a razão por que Auden disse que qualquer casamento duradoiro é mais apaixonante do que a mais acesa das paixões. Guardar é um trabalho custoso. As coisas têm uma tendência horrível para morrer. Salvá-las desse destino é a coisa mais bonita que se pode fazer. Haverá verbo mais bonito do que «salvaguardar»? É fácil uma pessoa bater com a porta, zangar-se e ir embora. O que é difícil é ficar.
Preservar é defender a alma do ataque da matéria e da animalidade. Deixadas sozinhas, as coisas amarelecem, apodrecem e morrem. Não há nada mais fácil do que esquecer o que já não existe. Começar do zero, ao contrário do que sempre pretenderam todos os revolucionários do mundo, é gratuito. Faz com que não seja preciso estudar, aprender, respeitar, absorver, continuar. Criar é fácil. O difícil é continuar.

quarta-feira, novembro 27, 2013

QUASE

O quase incomoda-me, entristece-me, mata-me trazendo à lembrança tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, mas quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de se viver no outono. O Outono é um meio-termo, porque não é Inverno, nem Verão.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos das pessoas, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, mas para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão, para os fracassos, chance, para amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

terça-feira, outubro 01, 2013

VAMOS SER FELIZES!

Cheguei a pensar que não conseguia viver sem ti. Depois, com o tempo, a vida foi-me mostrando que conseguimos tudo. Que conseguimos habituarmo-nos a coisas boas e a coisas más que nos acontecem. Obviamente que às boas é bem mais fácil de nos habituarmos. Mas as más fazem-nos crescer.


Pensei que já tinha crescido tudo quando me tornei adulta, mas estava redondamente enganada. A vida é uma constante aprendizagem, e devemos saber tirar proveito de todos os ensinamentos que ela nos dá. Não deveríamos complicar, deveríamos simplificar. Mas infelizmente, na maior parte das vezes, não é isso que acontece. Complicamos aqui, complicamos ali e quando damos por ela temos um turbilhão de problemas à nossa volta.

É verdade que alguns deles nos transcendem, mas, se pensarmos bem, a maior parte deles foi originada por nós próprios. Porquê? Porquê que o ser humano é assim? Há coisas tão boas que deveríamos aproveitar, coisas tão boas às quais nos deveríamos agarrar para ultrapassarmos as tais que nos transcendem.

E agora estou eu aqui, sozinha, a olhar o mar, a sentir o sol, a respirar a natureza e penso: Será que o tempo que perdemos valeu a pena? Será que foi mesmo tempo perdido? Ou teremos ganho alguma coisa? Terá servido para aprendermos? O saldo TEM que ser positivo. Não equaciono outra hipótese. VAMOS SER FELIZES!

segunda-feira, abril 29, 2013

FAZER ANOS


Faz-se anos assim que se nasce.
Esses são de esperança,
De sufoco, de gritos e de lágrimas.
Fazem-se anos devagar, ao ritmo da infância, entre gargalhadas de sol e gomos de tangerinas.
Depois, anos de crescer depressa, para alcançar…outros anos.
Anos de trabalho, de esforço, de construção.
Um dia fazem-se anos sem quase se dar por isso,
São os que passam depressa demais.
Aprende-se a fazer anos com o tempo e com a vida.
Também se aprende com os bolos de chocolate e o cheiro a cera das velas ardidas.
Por isso é que se somam sempre sabores aos anos,
E ritmos diferentes, e cores variadas.
Há anos a cinzento, anos a azul, anos de todas as cores e anos só a preto e branco.
Anos de muita chuva lá fora e risos cá dentro. E outros, só de sol ameno.
Também há anos parados, encruzilhados e esquecidos.
Há aqueles que valeram tanto a pena…
E os outros que não sabemos muito bem para o que serviram.
Há anos em que sorrimos para a fotografia,
E outros em que nos rimos tanto que nos esquecemos das fotografias.
Há anos doces como o mel, outros com pouco sal, outros azedos mesmo.
Há anos em que mandamos nós. Outros, o que nos vai acontecendo
Mas que sejam sempre e sobretudo anos felizes.

 
Fazer anos é somar sabores.
Reinventar mais vinte e quatro horas,
E adormecer outra vez.

terça-feira, abril 16, 2013

OS ERROS


Ontem uma pessoa pediu-me desculpa por ter agido comigo de forma errada e eu respondi-lhe que os erros podem marcar o nosso passado e aquilo que fomos mas que só marcam o nosso futuro se nós deixarmos.

quarta-feira, maio 30, 2012

COM O TEMPO A GENTE APRENDE QUE ...


Com o tempo a gente aprende que errar é humano, que todos nós erramos e que às vezes, mesmo certos, temos que abaixar a cabeça e pedir desculpa. E que as vezes é preciso ouvir o que as pessoas têm a dizer. Com o tempo aprendemos a jogar na vida, aprendemos que a cada tombo é preciso levantar de cabeça erguida. Aprendemos que nem todas as manhãs são de sol, e que nem sempre tudo na vida é como nós queremos. Com o tempo conhecemos pessoas, e descobrimos sentimentos. Com o tempo aprendemos a dar valor a cada segundo que temos, pois aprendemos que num segundo tudo pode mudar. A vida passa e descobrimos quem são nossos amigos verdadeiros e às vezes que pessoas desconhecidas nos valorizam mais do que as que estão todos os dias connosco. Com o tempo a gente erra mas também acerta e mais cedo ou mais tarde, a gente aprende que temos que aceitar cada um como é. E que ninguém é melhor do que ninguém pelo menos nesta vida. Com o tempo a própria vida vai-nos ensinar como viver.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

FAZ HOJE 5 ANOS ...


Faz hoje cinco anos que partiste. E como há cinco anos, no dia de hoje os relógios não deram horas. O sol não brilhou com mais força. Os pássaros não cantaram mais alto, nem o mar se revoltou mais do que é costume. Nas ruas as pessoas não se apressaram mais. O trânsito não parou, nem as pessoas sentiram a tua falta. Em tua casa o teu cão sentiu.


Faz hoje cinco anos que partiste e lembro-me desse dia como se fosse ontem. Aliás, para mim, é como se tivesse sido. Lembro-me de toda a sequência de eventos que levaram desse dia ao dia seguinte, e lembro-me de todas as pessoas que mobilizaste como só tu sabias fazer!

Lembro-me de ti todos os dias, e sei que há muito mais gente que como eu também se lembra. Até chego mesmo a pensar, ou arriscar escrever, que todos nós nos lembramos de ti a cada hora. Mas não sei se será verdade. Eu sei que cá em casa, é!

Faz hoje cinco anos que partiste e embora pensemos em ti todos os dias, poucos sabem a falta que verdadeiramente fazes. Por todas as razões e mais alguma. Desde a companhia a tomadas de decisões. Fossem conselhos, ou simples conversas de circunstância, nunca ninguém conseguirá ter o poder que tiveste, e a presença que te eram tão características.
Sempre bem vestida. Sempre bem posta. Fosse em que circunstancia fosse. Fosse porque razão fosse. Há cinco anos tudo era diferente. Há cinco anos todos éramos mais fortes, e menos frios. Há um ano… Há um século. Há um segundo…
Foi como se tivesse sido de um segundo para o outro, embora já todos o esperássemos.

Faz hoje cinco anos que partiste. Para trás ficaram os fins de tarde cá em casa. As mesas cheias de gente no Natal.
Faz hoje cinco anos que partiste, e como há cinco anos, os relógios não atrasaram. Não deram horas. As pessoas não prestaram homenagens. Os pássaros não voaram mais alto. Nem o sol brilhou com mais força por entre as nuvens. Só nós é que soubemos que dia era hoje.

Faz hoje cinco anos que partiste e ainda não acredito que seja verdade. Sou obrigada a acreditar por causa de tudo o que se passa à minha volta. Mas sei que lá de cima, ou à nossa volta, estejas onde estiveres, estás a olhar por todos nós, preocupada, e com vontade de ajudar e participar como era o teu costume.

Ao longo destes anos, pouco se falou sobre o passado, sobre o futuro ou sobre o presente. Cada um tomou para si o que aconteceu e um a um lidamos com isso da melhor forma que encontramos. Escrevendo. Lendo. Conversando….
Faz hoje cinco anos e ainda ontem aqui estavas. Há um século. Há um ano. Há um segundo.